by Ronize Aline

17.9.04


É tempo de Literatura Infantil...

Para quem gosta de literatura infantil - e quem não gosta "bom sujeito não é, ou é ruim da cabeça ou doente do pé" - não pode perder as novidades na área.

Desde ontem até o próximo dia 26 acontece no MAM o 6º Salão do Livro para Crianças e Jovens. Com programação que vai do 1º Encontro de Escritores Indígenas a lançamentos variados, essa é uma boa oportunidade para crianças e adultos conversarem com escritores como Ruth Rocha e Ana Maria Machado, e ilustradores como Roger Mello e Ivan Zigg.

Ainda dentro desse espírito infanto-juvenil, a revista Paralelos - que comemora um ano em grande estilo - lançou o Paralelinhos, um especial infantil com matérias, entrevistas e contos para crianças de todas as idades.



A propósito, tem um conto meu no Paralelinhos - o Espicha daqui, espicha de lá - e uma entrevista que fiz com a menina dos pincéis, Mariana Massarani.

Apareçam por lá.

Ronize Aline postou às 23:19
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10.9.04


Transformando violência em PAZ



Jogo de xadrez feito de uma arma do Afeganistão e barro do Mar do Norte


Semana passada fiz um programa singular com Marco e minha mãe: fui entregar uma arma para a campanha do desarmamento. A arma pertencia a meu pai, que morreu em novembro passado, e até hoje não entendia muito bem por que ele a mantia em casa sendo alguém tão avesso a qualquer tipo de violência - até mesmo a verbal. Pacífico ao extremo, não discutia nem se metia em qualquer tipo de confusão. Talvez munido do mesmo motivo de tantos outros que vêem na arma uma garantia de segurança para a família, sei lá. Só sei que ele a mantinha escondida num armário, aquele objeto tão incomum a ele, tão pouco próprio de seus interesses.

Desde que ele partiu minha mãe tem ficado ainda mais incomodada com a arma, já que agora ela está sozinha em casa. Ela e a arma. Como ela não queria nem tocar na dita cuja, Marco e eu nos prontificamos a ir com ela fazer a entrega. Antes, no entanto, ela precisou ir apanhar uma autorização de transporte de arma, sem a qual poderíamos ter problemas se fôssemos parados por aí. Optamos por um posto do Viva Rio, na Glória, onde fomos muito bem recebidos e pudemos presenciar a arma sendo inutilizada para, mais tarde, sofrer sua total destruição.

Por coincidência, era o último dia da exposição "Da arma de fogo à arte", de Janicke Kim Olsen no Rio, mais especificamente no posto onde estávamos. Janicke é uma artista plástica norueguesa que remodela armas de fogo que já foram utilizadas para matar, ferir, assaltar e ameaçar e faz com elas inofensivos utensílios domésticos. Um relógio, um jogo de talheres e um jogo de xadrez (acima) são algumas das peças que pudemos admirar. Na exposição foi possível conferir o antes e o depois, ou seja, fotos das armas com explicação sobre as situações em que foram utilizadas e os objetos transformados ao vivo. E o que estava ali não era só arte, era um grito imenso de PAZ!



A artista norueguesa Janicke Kim Olsen

Ronize Aline postou às 18:52
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5.9.04


direto para a Índia, sem escalas



Ilustração de Mariana Massarani para o livro "O Hambúrguer era de Carneiro"


Quer saber por que o hambúrguer era de carneiro? Não precisa ir até a Índia, basta ler o livro de mesmo nome comentado há dois posts abaixo. Comentário para o qual a doce Mariana Massarani, ilustradora do livro, encantadoramente colocou chamadas, uma em seu blog e outra no blog no livro.

Beijos no coração para Mariana e Daniela, a autora.

P.S. Quem perdeu o lançamento do livro tem uma nova chance de conhecer as meninas no dia 24 de setembro, das 17:30 às 18h, no 6º Salão do Livro Infantil e Juvenil que acontece no MAM.

Ronize Aline postou às 20:10
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2.9.04
sustenidos e bemóis


Escolho as notas mais graves e pressiono-as com firmeza. O que me falta em agilidade sobra-me em drama. Mas o momento pede algo mais lânguido e mudo de posição. Ajeito a saia plissada sobre o banco e deixo antever um naco de meus joelhos. Melhor abaixar um pouco mais a meia. Passo a língua sobre os lábios deixando minhas intenções mais úmidas. Tento novamente o dó bemol. Melhor fazer uma escala para exercitar os dedos. Coisa chata! Chega de escalas. Passos no corredor...suspendo a respiração por um segundo...visita para a vizinha fofoqueira. Melhor assim, que ela esteja ocupada e não perceba o que está para acontecer por aqui. Senão daqui para os ouvidos da mamãe seria um pulo, logo agora que ela está tão feliz nas aulas de porcelana. Conseguiu até pintar um jasmim. Como será um jasmim? Acho que deveria ter escolhido outra música, não estou muito firme nessa. Hum, e se eu ajeitasse esse vaso para mais perto do piano, assim ele teria de passar bem pertinho de mim. Ih! Droga, esqueci de tirar o sutiã. Rápido, rápido sua molenga. Daqui a pouco ele chega. Pronto! Melhor trocar a blusa, colocar aquela branquinha mais justa. Podia trocar a saia também, mas a Marilúcia disse que homens mais velhos adoram meninas vestidas de uniforme. Parece que atiça a fantasia deles, sei lá. Melhor ficar com essa aqui mesmo, é só dobrar um pouco na cintura para ficar mais curta. Ai! Quebrei a unha, não acredito que isso foi me acontecer logo agora. Cade a droga da lixa? Rápido, lixa essa unha. É, ficou mais curta que as outras mas tudo bem. Coloco o dedo na boca para molhar a unha lixada e encosto na língua quente. Gosto do contato. Brinco com a língua, com o dedo, com a língua. Passo o dedo úmido pelas minhas coxas. Arrepio. Gostoso. Imagino a mão dele por ali. Eu queria botar o esmalte vermelho mas a Marilúcia disse que eles acham muito chamativo, melhor fazer pose de ingênua. Piranha eles têm em qualquer lugar, ela disse. Como é mesmo o acorde inicial, ah sim. Que é, Lourdes? Não falei para não me interromper? Ah, meu professor de piano chegou? Pode mandá-lo entrar. E vê se vai logo lá no mercado fazer aquelas compras que eu te pedi. Não precisa ter pressa, não.

Ronize Aline postou às 00:50
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