by Ronize Aline

28.3.05


Por aí...

1. tem microconto meu lá no blog do Marcelino. Está entre os primeiros escolhidos para o projeto de microcontos que ele está promovendo na Rádio Brasil 2000, e vai ao ar na próxima segunda

2. tem resenha minha lá no Paralelos sobre os dois encantadores livros da Cíntia Moscovich: Duas Iguais e Arquitetura do Arco-iris

3. sábado, dia 02, tem mais um Sarau de Santa, às 18 horas, na Livraria Largo das Letras. Onde? Em Santa Teresa, claro

4. A querida Crib está de canto novo para suas experimentações. Não deixe de visitar o Desfio

Ronize Aline postou às 23:22
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18.3.05


Dicas


# Marcelino Freire estréia coluna semanal no Portal Literal na qual falará sobre novos escritores. O primeiro a ocupar o espaço é Chico Mattoso.

# Valor de mercado e valor literário são categorias antagônicas? Quem responde é Eliane Hatherly Paz em um bem elaborado artigo no Portal Literal.

# E os escritores que iniciam tardiamente no ofício? Tiago Zanoli faz um interessante incursão no tema na revista Paradoxo. Dica da doce Meg

Ronize Aline postou às 22:31
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7.3.05


O portão de ferro me dizia coisas que eu não queria ouvir. Preferia procurar sentido em respostas que nenhuma voz me daria. As daqui, tão viciadas em suas cantilenas de acalanto; as de lá, não, não estaria preparada para cogitá-las. Não estou. E insisto, as mãos em concha sobre os ouvidos, a obstruir palavras que jamais escolheriam minha audição como destino. Parada, o portão de ferro à minha frente observando minha reticência, três pontos - ponto, ponto e ponto, um após o outro - causando a suspensão do pensamento, a ação congelada de um único quadro por horas. Suspendo o pensamento, as reticências na ponta dos pés paralelos alinhados ao portão de ferro, e o mantenho assim por tanto tempo que sequer chego a recuperá-lo, por mais que tente. Suspenso o pensamento, de que não ouviria o que o portão de ferro tem a me dizer, começo a ouvir o que o portão de ferro tem a me dizer. Cato nos bolsos as reticências que me serviram para suspender o pensamento e tento me lembrar de não ouvir o portão de ferro; antes buscar sentido nas respostas que voz nenhuma será capaz de responder. E quase me arrependo de estar ali, frente ao portão de ferro, pés paralelos, mãos em concha sobre os ouvidos, desprovida de novas reticências que me servissem para suspender ainda mais o pensamento.

Ela quase se arrepende de estar ali, frente ao portão de ferro, ouvindo coisas que não quer ouvir. Um ano, 52 semanas, 365 dias, 8.760 horas. E os pés ainda paralisados, paralelos, negando-se a avançar num encontro por tempo demais adiado.

Ronize Aline postou às 20:55
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